Os avós sempre desempenharam um papel muito importante no âmbito familiar,tanto que frequentemente os estudiosos os consideram valiosa ajuda para superação dos conflitos geracionais.São realmente eles a constituirem uma base segura a partir da qual se pode projetar verso o futuro.Convencida de tal idéia era a psicanalista Melanie Klein que afirmava que a figura dos avós ofereceria uma proteção afetiva menos exigente e dramática que aquela dos pais,dando subsídios significativos para a construção de um mundo interior bom e gratificante.
Entretanto,é válido perguntar se os avós constituam ainda hoje importante figura de referimento num mundo tão mudado,onde as famílias se tornaram tão diversificadas,feitas de pais,filhos,avós,tios,conviventes casados,substituindo assim a tradicional família nuclear,muitas vezes composta apenas por um único filho e um dos pais.Aparecendo nesse cenário uma sociedade pouco satisfatória,seja para os mais velhos,seja para os mais jovens,difundindo-se certo mal estar e desorientação para cada um.Resultando que cada indivíduo se feche em si mesmo, se isolando e ficando cada dia menos disposto a colocar-se no lugar do outro.
Então,qual seria hoje o papel daqueles que alguns psicológos e estudiosos modernos definiram como os novos avós?
Logicamente que na aparência são distantes anos luz daqueles velhinhos de qualquer século atrás,de cabelos brancos e xale nos ombros.Hoje,também por conta da notável longevidade,os avós continuam a ter uma posição muito ativa no seu dia a dia,seja trabalhando ainda remuneradamente,seja fazendo viagens,indo às academias de dança e ginástica,fazendo cursos vários como informática,línguas,enfim, até no modo de vestir é possível perceber por exemplo, emulação com os netos adolescentes.E, se não nos detivermos apenas na aparência,perceberemos que,na maior parte dos casos,entre netos e avós sobrevive uma relação única e irrepetível.São exatamente estes últimos que,talvez por conta da disponibilidade maior de tempo livre,sabem propiciar às crianças um ambiente favorável ao melhor crescimento e desenvolvimento delas. Andei lendo que segundo uma pesquisa recente feita pela Universidade de Roma a moçada entre os sete e quatorze anos de idade descrevendo os próprios avós,teve sempre uma opinião muito positivo sobre eles.
Acredito que a função dos avós seja aquela de representar uma continuidade temporal entre as várias idades da vida,tecendo e fortalecendo o fio invisível que liga uma geração a outra,a fim de nos lembrar que somos todos participantes de uma grande árvore onde cada membro-raízes,caule,folhas,flores e frutos têm uma função fundamental!
Entretanto,avós não nascem ao acaso,assim como pais,mas podem se tornar.apreendendo algumas características e habilidades que nem sempre como seres humanos e imperfeitos somos fornidos.Duas que considero fundamentais e que tenho observado,principalmente nesse período com a presença de meus pais junto aos netos queridos :uma forma de regressão doce e feliz,que permite ao avô de deixar de lado a rigidez de seu caráter pessoal para entrar no mundo fantástico dos pequenos. Tenho visto neles,mas em outros avós conhecídos também a disposição de entrar no jogo das crianças sem nenhum preconceito ou juízo de valor.Ridículo é uma palavra que não existe para essa turminha.Mecânicos,manicure,soldado,e tantas mais...Não apenas para satisfazer a vontade dos netos de brincar,mas na maioria das vezes são eles mesmos que deixam transparecer essa vontade sincera de se divertirem,permitindo-se espontaneamente esse ingresso no mundo da imaginação e fantasia.
O segundo e provavelmente mais difícil requisito a ser alcançado nessa missão de ser avós é a capacidade e vontade de querer continuar a aprender.Aceitando quem sabe até uma lição dos menorzinhos,pois são eles que,ainda se encontram livres das formalidades,frases feitas e lugares comuns,podendo nos ensinar a olhar o mundo com olhos diferentes,dando-nos a energia e a coragem para recomeçar,reconhecendo a força e o poder do afeto,do desejo e não aquela da mera conveniência.
Assim sendo,ser avós não quer dizer substituir os pais na educação das crianças,mas ajudá-los a perceber o valor que cada um tem no contexto familiar,gozando desse dom que a natureza nos ofereceu,contando muito mais a qualidade que as horas passadas juntos.
Bergilde Croce
*Links relacionados:
http://revistapaisefilhos.com.br/sendo-pais/relacao-com-avos/avos-diferentes
http://www.cppl.com.br/?As-avos-e-as-novas-familias
http://www.upf-ticino.ch/a_10_gdn_lehmann.html
http://www.letras.etc.br/joomla/index.php?option=com_content&view=article&id=127:inventem-se-novos-avos&catid=7:opiniao&Itemid=14
http://www.grandparents.com/gp/home/index.html
http://www.publico.pt/Sociedade/novos-avos-sem-manta-nem-bengala-1265258
http://www.artigos.com/artigos/humanas/psicologia/familia-real-ou-ideal?-as-avos-e-os-novos-arranjos-familiares-contemporaneos-8403/artigo/
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http://www.grandparents.com/gp/home/index.html
http://www.publico.pt/Sociedade/novos-avos-sem-manta-nem-bengala-1265258
http://www.artigos.com/artigos/humanas/psicologia/familia-real-ou-ideal?-as-avos-e-os-novos-arranjos-familiares-contemporaneos-8403/artigo/